O mundo virou câmera lenta.
Sentado no concreto molhado, com os carros cortando a noite ao lado, ele tirou o capacete. A garoa misturou-se às lágrimas. Não havia ninguém ferido. Não havia batida. Apenas o eco do que poderia ter sido.
Bruno viu o pneu do Fiesta a trinta centímetros de sua canela. Viu o olho arregalado do motorista do ônibus atrás do para-brisa. Viu a própria mão no guidão – e notou que ela tremia. Não de medo. De vergonha.
Um táxi fechou a passagem na altura do Carrefour. Sem pensar, Bruno enfiou a moto no corredor entre o táxi e uma carreta. Menos de dois centímetros de cada lado. A fúria sussurrou: “Você não é ninguém. Prova que é alguém.” Ele provou.







