O acampamento dormia. A praia respirava. E o grogue, no fundo do copo, refletia a lua como um pequeno sol alagado.

— Elas sabem que a praia vai engolir o barco — murmurou o Capitão, virando o copo. — Sabem que o grogue acaba, mas a seiva continua.

O Capitão fechou os olhos. Na visão das plantas, ele não era herói nem náufrago. Era apenas um humano de passagem — semente que ainda não decidiu se quer germinar ou apodrecer.

Mas o Capitão, sentado num tronco de coqueiro tombado, ouvia outra coisa.

O grogue — feito de cana e limão, servido em copos de alumínio amassado — ardia na garganta da noite. As fogueiras bruxuleavam como olhos preguiçosos. O vento vinha do sul, trazendo cheiro de algas e lenha queimada.

As plantas ao redor — o capim-naval, a samambaia rasteira, o pequizeiro torto do acampamento — tinham uma visão. Não enxergavam como os homens, com duas retas focadas no horizonte. Elas viam o tempo devagar: o futuro brotando da terra molhada, o passado guardado nas fibras das raízes.

No acampamento montado entre a areia úmida e a linha onde o mato encontra o mar, o Capitão não dormia. Não por insônia, mas porque as plantas lhe falavam.

Alguém riu na barraca ao lado. Uma mulher cantava baixo, desafinada, uma canção sobre voltar para casa. O mar batia ritmo falso.

Capitão A Visão Das Plantas Acampamento Praia Grogue <PREMIUM>

O acampamento dormia. A praia respirava. E o grogue, no fundo do copo, refletia a lua como um pequeno sol alagado.

— Elas sabem que a praia vai engolir o barco — murmurou o Capitão, virando o copo. — Sabem que o grogue acaba, mas a seiva continua.

O Capitão fechou os olhos. Na visão das plantas, ele não era herói nem náufrago. Era apenas um humano de passagem — semente que ainda não decidiu se quer germinar ou apodrecer. capitão a visão das plantas acampamento praia grogue

Mas o Capitão, sentado num tronco de coqueiro tombado, ouvia outra coisa.

O grogue — feito de cana e limão, servido em copos de alumínio amassado — ardia na garganta da noite. As fogueiras bruxuleavam como olhos preguiçosos. O vento vinha do sul, trazendo cheiro de algas e lenha queimada. O acampamento dormia

As plantas ao redor — o capim-naval, a samambaia rasteira, o pequizeiro torto do acampamento — tinham uma visão. Não enxergavam como os homens, com duas retas focadas no horizonte. Elas viam o tempo devagar: o futuro brotando da terra molhada, o passado guardado nas fibras das raízes.

No acampamento montado entre a areia úmida e a linha onde o mato encontra o mar, o Capitão não dormia. Não por insônia, mas porque as plantas lhe falavam. — Elas sabem que a praia vai engolir

Alguém riu na barraca ao lado. Uma mulher cantava baixo, desafinada, uma canção sobre voltar para casa. O mar batia ritmo falso.

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